Eu hoje posso dizer que quando deixei de pensar em esquecer, eu esqueci, esqueci ele e hoje posso ver. Mudamos os gostos sim, não me imagino mais com você. Não imagino nem quero imaginar, porque pensar nisso é perda de tempo.
Mas parece que eu me tranquei emocionalmente, parece que não arrisco mais, que tenho medo, e se não tenho, qual adjetivo posso dar pra isso?
Eu tenho sim, mas não é fraqueza, é medo de deixar com que as coisas aconteçam, com que um dia alguém bata a porta dizendo e pedindo licença.
Eu demorei algum certo tempo pra cair a ficha de que sim, eu sou realmente a mesma Rafa de uns anos atrás. Eu sou a mesma Rafa que nunca deixou de se apaixonar, que nunca deixou de se envolver com a vida, com os desejos, com os planos. De tirar o pé do chão e flutuar.
Eu não flutuava mais com você, e foi por isso que você percebeu, eu percebi e então caímos no chão.
Eu preciso de mais do que pés fixos ao solo, eu precisava mais disso naquela época e agora preciso, mais e mais. E chega de ressentimentos, de histórias passadas, eu sou um misto individualmente meu. Sou algo que eu soube ser e entreguei a você, deixei um pedaço como qualquer pessoa deixa, ao passar por um relacionamento. Mas esse meu "resto", minha grande maioria que sobrou, é o que faz de mim VIVA.
É o que me faz ver que sim, eu continuo me apaixonando pela vida, me encantando pelas pessoas, criando sonhos, planos e valores. Eu posso até ser boba, ser infantil, ser crédula. Mas mais bobo ainda, é aquele que apaga o sonho por um falso sorriso, é aquele que desiste de sonhar, por achar que sonhou demais.
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