Quantos sites de moda estão por ai? Quantos sites te ensinando o que comprar, como se vestir, como organizar sua vida conforme a dança, e se não dança conforme a letra é tida como ultrapassada.
Mulheres e seus lances complicados de entender, essa é a única definição plausível na mente masculina? Cá entre nós, revelaremos um segredo: Também não entendemos metades das coisas que vocês gostam. Quem consegue ser apaixonado por uma caixa de ferramentas? São meros ferros, mas vocês adoram comprar esses trambolhos e além do mais, cuidar e organizar como se fossem ouro.
Mas o mérito todo da conversa não é esse, não são os gostos de um ou de outro sexo.
E sim:
- Mulheres sabem tão bem comentar roupas e falar de sapatos, e escolhemos nosso lugar ao sol com muita elegância, conquistamos diria mais, mas a maioria dos sites femininos, tidos como feministas, divulgam poucas coisas que realmente interessem a uma mulher pensante.
Vamos falar da lei Maria da penha e sua evolução ao longo de seus seis anos, vamos falar da legalização do aborto, do novo código penal, de como as pessoas conseguirão reagir a tantas mudanças no ambiente nacional. Vamos falar do baixo salário dos professores, das cotas nas faculdades, da previdência, da impotência diante de tanta falcatrua na política. Vamos falar de revolução, da francesa, da industrial. Vamos falar da psicologia.
Vamos falar de Freud e Nietzsche.
Da Administração, do planejamento e até das teorias burocráticas.
Vamos falar de sexo, talvez até mais que os homens, que nas rodas de amigas são ditas sem nenhum pudor. Afinal, vocês achavam que eramos santas? Vamos falar de amor, e de como está vulgarizado, falar também da crise na Europa, na quebra dos bancos Espanhóis. De empresas que utilizam mão de obra escrava para produção de cosméticos e roupas nas lojas de departamentos, vamos falar da copa do Brasil, do mundo, da libertadores, mas não publicar no facebook. Vamos fazer um debate, tratar questões como as drogas, mas sem drogas na cabeça ou rótulos pré formados, vamos ver os dois lados.
Mas vamos FALAR, por falar, vamos viajar nos nossos dizeres, percorrer ao menos um desses pontos de interrogação, ou simplesmente vamos pensar. Afinal, nesses dois quesitos nós somos mestres.
E levantar ainda questões como: Assédio moral, sexual, homossexualidade, globalização e HIV. Vamos falar da gripe, da A, da B e da C. Vamos criar mais sites que falem de tudo isso junto, que mulheres digam isso. Cá entra nós, vamos falar antes que falem por nós, e não falem com a nossa mesma voz. Ou vamos deixar como está, abrir um site banal, procurar um horóscopo e ver as tendências de visuais para amanhã. Com essas visões seremos evoluídas e feministas, não é mesmo? Ao menos limpando a casa e cozinhando o jantar enquanto o marido sai para trabalhar.