Você chorou, se descabelou, interrompeu relacionamentos que vieram depois,
por não conseguir superar, encarar, tomar decisões novas ou simplesmente pelo
medo de não querer esquecer.
Quase um sadomasoquismo escondido lá no fundo da sua alma, onde dizia que
você precisava daquelas lembranças pra ser manter viva, quando na verdade,
lembranças como aquelas só lhe atrasavam a vida e impediam mudanças decorrentes
de todo ser humano.
A memória foi mais forte, quem disse que o tempo apaga tudo foi um grande
poeta, e sábio, ou ficou rico. Já morreu, com certeza, e nunca saberemos quem foi
quem disse, pois o tempo esse, já apagou da nossa memória.
Graças a minha pouca capacidade de guardar informações eu parei de me
castigar. E esqueci, esqueci mesmo, não lembro rosto, não lembro cheiro, gosto,
nem nada.
Lembro simplesmente que passou um dia pelo meu caminho, mas quem foi esse
ser mesmo?
A memória é a arma mais capaz, para todos aqueles que querem esquecer um
romance, um desastre, uma piada, ou até mesmo uma morte.
Ela destrói aos poucos cada restinho que tínhamos, na verdade não é ela, e
sim a ausência dela. Lembrando-nos que quando não estamos mais dispostos a
sofrer, apagamos e seguimos em frente.
Temos mais medo de esquecer alguém do que pensamos, e por isso costumamos
nos apegar em fotos, em músicas, em quadros, poemas, ou qualquer pequeno
detalhe que relembre alguma situação em comum com aquela pessoa.
Mas se é duradouro e presente, deve se estar constantemente renovado no dia
a dia, é por isso que pessoas se casam para presenciar na memória recente tudo
aquilo que um casal pode desfrutar.
Então com as conclusões das quais obtive hoje, minha memória é bem
fraquinha, mas minha vontade sadomasoquista não foi tanto, sorte que acabou
ainda bem.
Quero memória de filhos, pais, amigos, irmãos, e amores, mas quero memórias
cultivadas na rotina, não memórias que se apaguem com um ano, ou que esqueçam
com novas pessoas. Nada é pra sempre, muito menos a memória da gente.