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domingo, 25 de março de 2012

Espelho


Quem sou eu nesse momento? Quem sou eu tentando escrever depois de tanto tempo?
Acho que mudei muito mesmo, acho que cresci. Talvez meu rosto mostre isso no espelho, eu espero que não mostre. É como se eu estivesse aqui de novo, com as mãos atadas, como se nada pudesse representar o amanhã. Amanhã, era tão duvidoso ontem, é ainda mais hoje.
Quanto mais eu percorria as estradas desses caminhos tortos e dispersos, menos eu sabia de algo. Sou uma viajante dos meus sentimentos. Queria sempre ir além, além com você, com ele, com quem? Comigo mesma. É como se todo o céu descesse aos meus olhos, e eu estou aqui. Estou aqui de peito aberto novamente. Mas até quando?
Acho que já não me reconheço mais, não tenho os meus desejos e os gostos de alguns tempos atrás. Você, eu, demorei tempo demais pra perceber que as lembranças sumiram. Que nem seu rosto eu visualizo mais. Acho digno, toda forma de esquecimento, para toda forma de sofrimento. Era isso que ela dizia ao mundo. Que queria esquecer quem já não morava ali no peito. Então a mente a escutou com atenção, e as memórias, estas foram pelo ralo.
Guardando a esperança de um dia bom, de um segundo mais vivo. Com o medo nos olhos da criança, que não se vê mais tão criança, ao olhar no pequeno pedaço de vidro que reflete seu rosto tremulo. É menina, você não é mais tão menina. Você cresceu e percorreu sua trajetória. E em qual canto desse mundo você quer morar hoje? E em qual vida, da sua vida, você quer viver hoje?
Será que é verdade tudo isso? Às vezes crio a ilusão de estar parada no tempo, vendo as pessoas se moverem e eu aqui, eu permaneço aqui. Com os pés e a alma no lugar. Mas com a mente em outro planeta, qualquer planeta hoje que me faça voltar a respirar.
A verdade é que perdi muito tempo sem olhar ao redor. E o redor de tudo isso sou eu mesma, sou eu tentando me desvendar mais uma vez, e fazendo poesia como se fosse a primeira vez.

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